Hoje a Igreja universal celebra a festa daqueles que se comprometeram com Deus Pai, com o seu Reino de bondade, de justiça e de amor e, em nome Jesus Cristo, se comprometeram de maneira radical, também, com os seus semelhantes. Por isso, nesta festa, todo o povo cristão é convidado a entrar em comunhão com Deus e com todo o homem de boa vontade.
Como Jesus de Nazaré, somos convidados a fazer de nossa vida uma eucaristia, uma oferenda viva. Na Igreja antiga, os santos eram entregues às chamas, às feras, às torturas cruéis. Hoje, também, milhares de santos são entregues à morte, são torturados pela fome, pelo desemprego, pela doença, e silenciados pela repressão, pela intimidação, pelas ameaças de morte dos que se julgam senhores deste mundo. Mas é nas entranhas dos que sofrem, dos aflitos, dos esquecidos, que germinam, nascem e dão fruto as sementes do Evangelho de Jesus Cristo. Desta maneira, a festa de hoje é também a festa dos santos dos nossos dias, essa numerosa multidão cujo testemunho vivo é fonte perene de renovação para a Igreja.
@Evangelizo
Passar pela porta estreita é moldar-se no amor
Recebido
No evangelho de João, Jesus se apresentou como «a porta das ovelhas» (10,7). Para chegar a Deus é preciso passar por Jesus Cristo. Num contexto diferente, Lucas, no evangelho de hoje apresenta Jesus que convidava: «fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita» (Lc 13,22-30) apresenta Jesus que convidava: «entrai pela porta estreita». A metáfora da porta estreita é o convite que faço para oração de hoje! Na Itália, como em boa parte do mundo, celebra-se hoje a solenidade de Todos os Santos. No Brasil, celebraremos no próximo domingo.
A porta estreita lembra que todo seguidor de Jesus precisa trabalhar para transformar-se pequeno, humilde, em pessoa que sabe se abaixar para servir. A estreiteza se trabalha no amor. É o amor que configura a passagem, que desenha o mapa de quem se coloca na estrada de seguir Jesus.
Um dos maiores escritores místicos, São João da Cruz, na sua grande obra sobre a Subida ao Monte Carmelo, propunha o diálogo entre o tudo e o nada: «Para chegares a saborear tudo, não queiras ter gosto em coisa alguma. Para chegares a possuir tudo, não queiras possuir coisa alguma. Para chegares a ser tudo, não queiras ser coisa alguma. Para chegares a saber tudo, não queiras saber coisa alguma». Esse caminho de esvaziamento para atravessar a porta estreita é próprio do evangelho.
Quando o mundo grita que a felicidade está em ascender, em ser grande, em ser importante, o evangelho de Jesus Cristo sugere a inversão: descer, fazer-se tão pequeno quanto do tamanho da porta estreita. Jesus recomendava o absurdo do nada: «esvaziou-se a si mesmo tomando a condição de servo» (Fl 2,7).
É por essa construção da pequenez, da humildade, entre erros e acertos, dando-se conta das limitações, mas com os olhos fixos no evangelho que a porta se torna acessível para todas as pessoas!
Pe. Maicon A. Malacarne